Crítica: “Mistress America” traz de volta aos cinemas todo o charme da colaboração entre Noah Baumbach e Greta Gerwig

Comédias inteligentes são tão deliciosas quanto raras. Para quem aprecia esse estilo de humor mais “cabeça”, o jovem diretor nova-iorquino Noah Baumbach (“Frances Ha”) tem se revelado um oásis no oceano de mediocridades, como um Woody Allen ou um Wes Anderson que, periodicamente, aparecem para provocar o espectador. “Mistress America”, seu novo filme, chega aos cinemas neste mês, trazendo mais um punhado personagens irresistíveis e piscadelas intelectuais.

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O filme repete a parceria entre Baumbach e a atriz/roteirista Greta Gerwig, sua companheira na vida real. Ela interpreta Brooke, uma garota de trinta anos que é a essência de Nova York: inquieta, popular, empreendedora, generosa e completamente perdida na vida. Sua personagem é ao mesmo tempo uma inspiração e um desafio para a jovem vivida por Lola Kirke, Tracy: uma universitária que acaba de se mudar para a cidade para estudar, mas que ainda não encontrou seu lugar.

O diretor acompanha o ponto de vista de Tracy, desde o momento em que ela é rejeitada por um clube literário da universidade e descobre que o garoto de quem gosta está namorando outra. Insegura, ela procura a ajuda da filha do noivo de sua mãe: Brooke. As duas passam apenas algumas horas juntas, mas já é o suficiente para que Tracy se encante com o estilo de vida da futura irmã e encontre inspiração para começar um novo livro.

O longa brinca com expectativas e realidades e vai balanceando o peso das duas protagonistas – ora é Brooke que comanda as ações, ora é Tracy. Podemos ver, ainda, a evolução delas ao longo do filme, o que enriquece ainda mais a história. Conseguirá Tracy ser aceita no clube? Conseguirá Brooke abrir seu restaurante? Algumas surpresas aguardam o espectador.

“Mistress America” foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e estreia no circuito comercial no dia 19 de novembro.

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.