Crítica: “Rua Cloverfield, 10” combina o realismo do suspense psicológico com um toque de sci-fi

Preciso confessar: nunca tinha visto “Cloverfield – Monstro”. Não porque eu tenha algum problema particular com filmes de monstros (pelo contrário, é o meu tipo de filme), mas, simplesmente, nunca sentei no sofá e tomei uma atitude a respeito. Isto é, até assistir a “Rua Cloverfield, 10” e perceber o que eu estava perdendo.

A sequência do cultuado found-footage da produtora de J.J. Abrams, que chega aos cinemas no dia 7 de abril, não é bem uma sequência, nem é um found-footage (para alívio de muitos de nós), mas é bom o suficiente para fazer qualquer um ir correndo atrás do original. Aliás, é ridiculamente bom.

O filme acompanha a aspirante a estilista Michelle (Mary Elizabeth Winstead) que, por alguma razão, acaba de abandonar o noivo. Na estrada, ela sofre um acidente e acorda dentro de um bunker, onde vivem Howard (John Goodman, numa atuação arrepiante) e Emmett (John Gallagher Jr.).

Michelle logo descobre que não tem permissão para sair, porque Howard acredita que o ar, do lado de fora, está contaminado. Se isso é verdade ou não, ela não pode dizer, já que eles não têm nenhum tipo de comunicação com o mundo exterior. Para piorar, a previsão é que os três permaneçam trancados por um ou dois anos.

Para quem, como eu, esperou até agora para dar uma olhada no primeiro filme, minha dica é: espere um pouco mais. “Rua Cloverfield, 10” funciona muito bem sozinho e, arrisco dizer, até melhor. A relação com o primeiro filme tem a ver, apenas, com o que acontece do lado de fora do bunker – e, mesmo assim, é uma relação distante.

O que o longa de estreia de Dan Trachtenberg faz é misturar a ficção científica do universo de “Cloverfield – Monstro” com um suspense psicológico de fincar as unhas na poltrona. A maior parte do filme, afinal, se ocupa não com monstros e possíveis ataques químicos, mas com as relações de desconfiança entre os três protagonistas.

Winstead e Goodman são o coração do filme, carregando em seus olhares um milhão de significados. De um lado, Michelle tem a consciência de que pode estar sendo vítima de um sequestro e que seu abdutor pode ser qualquer coisa entre um louco paranoico, um estuprador ou um assassino (ou todas as anteriores) – mas também tem que lidar com a possibilidade de que o mundo exterior tenha se tornado inabitável e que seu sequestrador, na verdade, seja seu salvador. Do outro, Howard passou a vida toda se preparando para o apocalipse e, quando ele finalmente chega, não recebe de seus “hóspedes” a gratidão esperada. Como transformar aquele ambiente no lar perfeito que ele sonhou?

“Rua Cloverfield, 10” é uma opção obrigatória para fãs de suspense e ficção científica. Para quem tem um pé atrás por ser sequência, não há razão para se preocupar: além de diferente do anterior na forma, o filme também é bastante independente no tema, existindo sozinho ou como parte de algo maior. Estreia nesta quinta-feira.

 

Texto publicado originalmente no site Guia da Semana.

Resumão#13 – As Tartarugas Ninja, X-Men e vampiros cult


Chegamos ao Resumão#13 com uma seleção de trailers que bombaram na semana. Tem sequências de “O Tigre E O Dragão”, “As Tartarugas Ninja” e “X-Men” e ainda uma nova versão de “Tarzan” em live action, além de um aviso imperdível: no dia 15, sai o primeiro trailer de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”.

Entre as notícias, saiba o que vem por aí para os fãs de “Jogos Vorazes”, quem foi indicado ao Globo de Ouro 2016 e quem J.J. Abrams gostaria de ver dirigindo um filme de Star Wars. Entre as estreias, as dicas são “Pegando Fogo” (10/12) e “Garota Sombria Caminha Pela Noite” (17/12). Na semana que vem, o Resumão será especial sobre “Star Wars: O Despertar da Força”.

 

Trailers:

Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny: https://goo.gl/fy5nXe

As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras: https://goo.gl/jb7WPX

X-Men: Apocalipse: https://goo.gl/646lTP

A Lenda de Tarzan: https://goo.gl/j48TBb

 

Críticas:

Pegando Fogo: http://goo.gl/Yil1SJ

Garota Sombria Caminha Pela Noite: http://goo.gl/WZ9R9j

Star Trek – Além da Escuridão

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Se J. J. Abrams quis provar alguma coisa com Star Trek – Além da Escuridão, foi que ele conseguiria dar conta de Star Wars VII, a batata-quente da vez. O segundo filme da franquia estelar ganhou a mesma “aura” épica que os filmes de George Lucas sempre tiveram e, como aqueles, será capaz de fazer você sair do cinema com cara de bobo, dando soquinhos no ar ou citando as falas dos personagens.

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Foram quase três meses de ansiedade desde que Bryan Burk veio ao Brasil apresentar à imprensa 28 minutos do novo filme de Abrams. Na ocasião, ele foi mostrado em 2D, com áudio provisório e cortado em momentos centrais para manter o mistério. Agora, todos os segredos foram revelados (e são muitos!), com direito a pipoca, tela IMAX 3D e áudio impecável, na noite chuvosa e engarrafada da última quarta-feira.

Como peguei um assento bem à frente da sala lotada, levei alguns minutos para me acostumar à tela hiper-grande e hiper-perto. Isso prejudicou a primeira (e mais bonita) cena do filme: a perseguição de Kirk (Chris Pine) e Bones (Karl Urban) pelas matas vermelhas de Nibiru, distraindo o povo primitivo do pequeno planeta enquanto Spock (Zachary Quinto) se arrisca num vulcão em erupção, tentando neutralizar a lava. A adrenalina inicial prepara bem os ânimos para o que vem por aí: Spock está entre a vida e a morte, ele mergulha no fogo e precisa fazer escolhas racionais. Até onde ele conseguirá manter o controle?

De volta à Terra, após alguns sermões e discussões sobre regras, Kirk é rebaixado e Spock, transferido. Mas o castigo não dura muito: em minutos, a sede dos arquivos da Frota Estelar é explodida e tem início a verdadeira missão. A Enterprise deverá caçar e matar o fugitivo, mesmo que “matar” esteja fora das regras. Para piorar, o alvo se esconde num planeta dominado pelo povo arqui-inimigo Klingon.

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Como Klingon, não faltam referências (e reverências) ao universo Star Trek: como a “expedição de cinco anos” que a equipe faz em toda a série original ou a complicada viagem no tempo de Spock no primeiro filme. Mais do que puxar “pontas” do filme anterior e abrir brechas para outras sequências, Além da Escuridão encontra seu espaço no vasto universo mítico de Star Trek e acrescenta alguns nós à rede complexa de relações pessoais e intergalácticas que define a série. Por isso, cumpre a tarefa de alçar o filme de volta ao panteão de grandes sagas cinematográficas, com fôlego renovado.

Em Star Trek – Além da Escuridão, a dualidade Spock-Kirk é o clichê a ser quebrado. Não que a dupla não esteja unida – pelo contrário. Mas J.J. Abrams surpreende ao extrair o lado selvagem de Spock e o lado obediente de Kirk, tornando a aventura espacial muito mais tensa e envolvente. A mesma tensão se encontra no vilão, John Harrisson (Benedict Cumberbatch, talvez o melhor em cena ao lado de Quinto), um homem que transita entre a lógica e a emoção com uma facilidade atordoante.

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Humanidades à parte, as cenas de caçadas no espaço, as lutas, a queda de uma nave em Londres e, principalmente, o salto de Kirk e John entre uma nave e outra são de tirar o fôlego (com ou sem o 3D). O resultado é uma homenagem nada nostálgica aos monstros da ficção e da aventura no cinema: de Tron a Star Wars, de Indiana Jones a Robocop. Vocês entenderão o porquê.