FC! No Ar – Indicados ao Oscar 2017

No programa desta semana, conheça os nove indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2017 e entenda quais são as características mais fortes de cada candidato.

Mais sobre os filmes:

A Chegada (Sony Pictures)
Estreia no Brasil: 24 de novembro (2016)
Crítica: https://goo.gl/T9DiR0

Fences / Um Limite Entre Nós
Sem data de estreia.

Até o Último Homem (Diamond Films)
Estreia no Brasil: 26 de janeiro (2017)

A Qualquer Custo (Califórnia Filmes)
Estreia no Brasil: 2 de fevereiro (2017)

Estrelas Além do Tempo (Fox Film do Brasil)
Estreia no Brasil: 2 de fevereiro (2017)

La La Land – Cantando Estações (Paris Filmes)
Estreia no Brasil: 19 de janeiro (2017)
Crítica: https://goo.gl/M38SUg

Lion – Uma Jornada Para Casa (Diamond Films)
Estreia no Brasil: 16 de fevereiro (2017)

Manchester à Beira-Mar (Sony Pictures)
Estreia no Brasil: 19 de janeiro (2017)

Moonlight – Sob a Luz do Luar (Diamond Films)
Estreia no Brasil: 23 de fevereiro (2017)
Crítica: https://goo.gl/ld47XV

Vídeo – La La Land, o Oscar e uma história de amor (por Hollywood)

No primeiro FC! No Ar de 2017, falamos sobre o hype em torno do musical “La La Land – Cantando Estações“, de Damien Chazelle. Afinal, será que o filme tem tantas chances no Oscar 2017 só porque quebrou recordes no Globo de Ouro? E por que será que nos importamos tanto com o Oscar?

Se você gostou e quer saber mais sobre o filme, confira nossa crítica (escrita).

“La La Land – Cantando Estações”

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Quem diria que, em pleno 2017, estaríamos falando seriamente sobre um filme cuja sequência inicial envolve dezenas de bailarinos dançando em cima de carros, cantando alegremente e até colocando as mãos para o alto como se estivessem num musical da Broadway ou numa cena de Grease… O fato é que talvez não estaríamos se esse filme não tivesse sido criado por um jovem apaixonado chamado Damien Chazelle.

Para quem não se lembra, Chazelle foi a mente perturbada por trás de “Whiplash”, concorrente pequeno do Oscar 2015 que logo se tornou gigante pelo boca-a-boca e talvez tenha sido o filme mais unânime daquele ano (pelo menos eu não me lembro de ter ouvido ninguém dizer que não gostou – apenas, talvez, que não tenha assistido).

Agora, seu novo projeto não tem mais a vantagem do anonimato e chega aos cinemas carregado de expectativas – o que, curiosamente, parece ter funcionado muito bem para Chazelle. Seu “La La Land”, ao contrário de “Whiplash”, não pretende ser pequeno. Seu objeto não é mais o artista solitário, ou uma jornada pessoal rumo à maestria, mas sim a indústria em torno dele. É como se o garoto iniciante tivesse alcançado a perfeição e, agora, buscasse seu lugar de direito. É como se, agora, ele tivesse que descobrir o que fazer com sua arte (e com sua vida).


O filme tem como protagonistas um pianista de jazz (Ryan Gosling) que sonha em poder tocar livremente, sem perder o emprego a cada improviso, e uma atriz iniciante (Emma Stone) que serve cafés dentro do complexo da Warner, mas não consegue ser levada a sério nas audições. Entre um tropeço e outro, os dois se encontram, se conhecem, e descobrem os sonhos um do outro.

Então, assim como a velha Hollywood que o inspira, “La La Land” se revela grandioso. Na verdade, gigantesco: o filme parece absorver toda a expectativa depositada nele e devolver em dobro, em excessos obsessivamente calculados e geometricamente perfeitos. Desde o ritmo musical presente nos gestos, nos diálogos e especialmente na montagem de Tom Cross (que também trabalhou em “Whiplash”) até a delicadeza dos cenários e dos figurinos, mistos de uma memória nostálgica e um mundo de sonhos, “La La Land” pode se gabar de ser uma produção impecável.

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O perfeccionismo técnico, porém, não parece ter sido suficiente para garantir a mesma imunidade de “Whiplash“. Otimismo, afinal, sempre gera desconfiança. Há quem diga que toda a homenagem a Hollywood (as referências a clássicos dos anos 50 e 60 estão por toda a parte), o tom romântico (mesmo que melancólico) e o próprio formato de musical sejam formas de escapismo, como se o filme evitasse lidar com as dificuldades do mundo real. Essa, entretanto, me parece uma acusação extremamente simplista.

La La Land” pode não ser um filme político, mas nem por isso é vazio. Sua mensagem é tão sincera e necessária quanto qualquer outra – talvez até mais, em tempos de desesperança generalizada. Ele diz: “dane-se o mercado”. E então se encaixa no mercado, transformando-o. Ele ensina que é preciso acreditar na sua arte ou o resto do mundo deixará de acreditar. Se isso não é um manifesto pela esperança, então não sei o que é…

A verdade é que, ao conquistar o mundo com um musical à moda antiga, quase ingênuo diante de dramas viscerais como “Moonlight” e “Animais Noturnos”, Chazelle prova que, sim, tudo é possível. Que, não importa o quão tolo pareça seu sonho, ele não é irrelevante nem ultrapassado. “Pessoas valorizam o que é feito com paixão”, pondera a personagem de Emma Stone em certo momento, como se falasse do próprio filme… E “La La Land” é isso: pura e sincera paixão.