Liberdade é um caminho sem volta

Primeiro foram os sutiãs. Bati o olho num modelito sem aro, sem bojo, sem quase nada, e foi amor à primeira vista… Pensei nas pontadas que já tinha levado quando o ferro se desprendera do pano, pensei no formato estranho que meus seios ganhavam quando os obrigava a se encaixar num semicírculo perfeito, pensei no tamanho irreal e na posição eternamente imóvel que ganhavam quando vestia as peças mais desconfortáveis da indumentária humana… E saquei a carteira.

Não demorou para que eu revisse, também, meus conceitos sobre tênis. E mochilas – ah, mochilas! Nunca gostei delas nos tempos de escola, hoje tenho uma melhor amiga: molinha, cheia de bolsos, pau para toda obra. Sabe aquela? Você já teve uma assim. Lembre-se dela com carinho.

Pois a elegância que me perdoe, mas tenho coisas demais a carregar na vida – como um corpo que já não se quer acomodar sobre calçados rasteiros… E já não se pode contentar com qualquer coisa que não seja a liberdade, com qualquer coisa que não seja o meu tempo, o meu lugar, o meu jeito, o céu inteiro.

A liberdade é um caminho sem volta, você vê…

Uma vez percorrido, é difícil olhar para trás para as caixas lacradas de onde se veio, sem ver o quão pequenas elas são. O quão insignificantes e tolas elas são.

A liberdade é mesmo um caminho sem volta, que faz você ver.