Cinco poemas para uma noite quente

1.

É que preciso de arte, você vê?

Preciso dela como preciso de comida (e você bem sabe o quanto preciso de comida…). Preciso de palavras, imagens, cores, de acordes dissonantes e temperos raros. Preciso daquilo que brota sem motivo, e que não serve para nada. Eu me alimento de nadas.

Cultivo em mim uma pequena plantação de inutilidades.

Vivo de coisas belas e inessenciais que não merecem ser pagas. Coisas oblíquas que não podem sequer ser estudadas.

Mas estudo, mesmo assim. Estudo e vivo, e vejo. E ouço. Soluços por toda a parte.

Medo por toda a parte.

É que todo mundo precisa de arte, você vê… Mas não sabe.

E seguem tapando o buraco com moedas, remédios, gritos e balas.

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