A descida é sempre mais fácil

Acabo de terminar uma defesa de mestrado sobre três distopias. Enquanto falo sobre a última, mais contemporânea, noto que o problema central é a coexistência entre diferentes espécies, mais diferentes na ideia do que na prática, e o exercício de poder de uma sobre a outra. A obra defende, poeticamente, a urgência por coletividade, por colaboração, pelo fim de muros inúteis, fronteiras e massacres. 

Estou no campo da ficção, mas a realidade, ultimamente, tem superado em muito o horror do cinema e da literatura. Lá no Oriente Médio, no Afeganistão, dezenas de jornais me informam que o Talibã voltou ao poder. O mesmo Talibã que baleou uma jovem Malala na cabeça, em 2012, no Paquistão, por querer estudar. E agora esse grupo, que usa a religião como desculpa para trancar, estuprar, podar, mandar e assassinar, ocupa Cabul, menos de um mês após a saída das tropas americanas do país. E declara que aquele mundo é seu.

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