14 anos depois, eles ainda são Incríveis

Vamos falar de perspectiva? Em 2004, a Pixar lançou nos cinemas um filme chamado “Os Incríveis”. Era uma animação diferente, que agradou tanto aos pais quanto aos filhos num tempo em que desenhos animados eram coisa de criança – e os adultos odiavam ter que acompanhá-las. É, o mundo já foi assim e você nem se lembrava.

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Fala, Cinéfilo! #01 – Oscar 2016, Snoopy, Creed e Reza a Lenda


Está no ar a primeira edição do Fala, Cinéfilo!!
Hoje, comentamos as indicações ao Oscar 2016 e destacamos cinco filmes em cartaz. “Carol”, “Creed – Nascido Para Lutar” e “Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme” estrearam no dia 14/01, enquanto “Joy” e “Reza a Lenda” estreiam no dia 21/01.
Se você quiser saber mais sobre os filmes comentados no programa, confira minhas críticas! Links abaixo:

O Regresso: http://bit.ly/1SmQ8x5
Mad Max: Estrada da Fúria: http://bit.ly/1e1muvY
Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força: http://bit.ly/1OwzPaq
Divertida Mente: http://bit.ly/1FBWP9q
Carol: http://bit.ly/1OdzdZJ
Creed: http://bit.ly/1N9awJX
Apostas para o Oscar 2016: http://bit.ly/1ZnfbiF
Veja a lista completa de indicados ao Oscar 2016: http://bit.ly/1Zs4UBF

Crítica: pesado e sem ritmo, “O Bom Dinossauro” caminha para se tornar o primeiro grande fracasso da Pixar

Até mesmo os grandes estúdios falham. No início deste ano, a Pixar trouxe aos cinemas uma das animações mais emocionantes e originais de todos os tempos, um filme que não surpreenderia ninguém se aparecesse entre os indicados às categorias mais altas do Oscar, lado a lado com live actions. Agora, menos de 12 meses depois, a mesma casa apresenta um longa que é o oposto disso.

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O Bom Dinossauro” não é nem emocionante (pelo menos, não genuinamente), nem original. O filme se esforça demais para provocar tristeza e acaba assumindo um tom pesado, apoiado numa trilha melodramática e em cenas duras e apelativas. Para os adultos, tudo soa muito novelesco, mas, para as crianças, pode ser uma experiência traumática, já que falta a compensação de um final otimista ou dos personagens engraçados que normalmente equilibrariam as emoções.

O filme conta a história de um dinossauro chamado Arlo, que é o mais medroso de sua família. Depois de fracassar nas tarefas básicas da fazenda dos pais (sim, esses dinossauros são fazendeiros), ele tem a chance de se redimir se conseguir matar a criatura que está roubando toda a comida armazenada no silo. Na hora H, ele descobre que o ladrão é um menino humano (primitivo, que age como um cãozinho), sente pena e deixa-o fugir.

Quem tem um mínimo de experiência com filmes infantis já consegue descobrir, por esse prelúdio, tudo o que acontecerá em seguida: Arlo tentará consertar a situação, provocará um desastre e acabará se afastando da fazenda, depois reencontrará o menino (a quem chamará de Spot), se tornará amigo dele e passará o resto do filme procurando o caminho de casa.

Se a trajetória do protagonista parece tão previsível, alguns elementos são ainda mais familiares, descaradamente copiados do clássico infantil “O Rei Leão”. Há cenas inteiras reaproveitadas, além de personagens e situações muito semelhantes. Como se não bastasse, o ritmo não funciona: a jornada é lenta, as cenas dramáticas são exageradamente longas e os momentos de humor são curtos demais.

Tudo isso contribui para que “O Bom Dinossauro” seja, como vem se anunciando, o primeiro grande desastre comercial e de crítica do estúdio, mas a verdade é que os problemas começaram muito antes de ele chegar às telas. Marcado inicialmente para 2013, o projeto passou por uma troca de direção (de Bob Peterson, de “Up! Altas Aventuras”, para Peter Sohn, que só dirigira até então o curta “Parcialmente Nublado”), porque, segundo o presidente da Pixar Edwin Catmull, “Às vezes os diretores se envolvem tanto com suas ideias que é preciso uma pessoa de fora para terminá-las”. Mas isso não foi tudo.

Com a mudança, todo o roteiro foi reescrito e alguns personagens foram alterados, afetando também o elenco e exigindo novas gravações. O que vemos nos cinemas é a última versão de um texto produzido a dez mãos, retrabalhado diversas vezes porque ninguém acreditava que a história estava dando certo. Bem, talvez fosse o caso de desapegar e começar tudo do zero.

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.

Crítica: Criativo e emocionante, “Divertida Mente” figura entre os melhores trabalhos da Pixar

Conheça Alegria, Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza. Estas cinco emoções, antropomorfizadas em figurinhas adoráveis e coloridas, são as protagonistas da nova animação da Pixar, “Divertida Mente”. Ovacionada em Cannes, a obra vem sendo comparada aos maiores sucessos do estúdio – como “Wall-E” e “Up! Altas Aventuras” – e com toda a razão.

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“Divertida Mente”, dirigido por Pete Docter (“Up! Altas Aventuras”) e Ronaldo Del Carmen, provoca no público muito mais do que aquele “ooown” característico das animações da casa. Cada uma das emoções salta da tela, nos fazendo rir e chorar como criancinhas enquanto somos transportados a um universo totalmente novo, interessante e muito bem explorado.

O filme conta a história de Riley, uma menina de onze anos que se muda com os pais para São Francisco. Decepcionada com a nova casa, apavorada com os novos colegas e beirando a puberdade, ela se deixa dominar por emoções que, até então, nunca tinham tido tanto espaço em sua vida de criança.

Do lado de dentro, isso significa que Medo, Raiva e Nojinho tomam conta do “centro de controle” (uma espécie de salinha panorâmica de onde os personagens podem ver a vida de Riley e gerenciar suas reações e memórias), enquanto Alegria e Tristeza se perdem no complexo labirinto da consciência.

Esse universo psicológico é uma atração à parte. Conectadas à torre central, estão as ilhas que compõem a personalidade da menina: “Família”, “Amizade”, “Brincadeira”, “Honestidade” e “Hóquei”, seu esporte favorito (note que os estereótipos femininos não existem ou ainda não se formaram na cabeça dessa criança). Cada ilha é sustentada por memórias específicas e ativada quando a situação pede, recuperando lembranças para ajudar Riley a lidar com novas informações.

Atrás das ilhas, fica um labirinto com estantes repletas de Memórias de Longo Prazo, que têm a forma de bolinhas coloridas com a cor da emoção predominante. Ao lado, há o terreno da Imaginação e, mais à frente, uma área proibida onde é feito o Processamento de Pensamentos Abstratos (ge-ni-al).

Ligando o labirinto à torre central, passa o Trem do Pensamento (“train of thought”, em inglês, pode ser traduzido como “fluxo de consciência”), com paradas na Fábrica de Sonhos (que lembra um estúdio de cinema) e no tenebroso Subconsciente.

Com tantos ambientes para explorar, seria fácil deixar de lado a vida real de Riley, mas Docter e Del Carmen tomam o cuidado de desenvolver os dois lados, voltando às experiências “de fora” sempre que isso é relevante para a aventura “de dentro”. De vez em quando, eles até exploram outras mentes, mostrando ao público que todos os personagens têm seu próprio universo emocional.

“Divertida Mente” é tudo o que os fãs de animação esperavam da Pixar: é complexo o suficiente para agradar a crianças e adultos, tem uma história emocionalmente tocante, uma mensagem forte, personagens memoráveis e uma arte impecável. Em outras palavras, corra para os cinemas. Estreia no dia 18 de junho.

Texto publicado no Guia da Semana em 19/05/2015.