Crítica: “Boa Noite, Mamãe” explora o suspense na quebra da confiança entre mãe e filhos

Uma mulher e várias crianças entoam uma canção de ninar, sorrindo para as câmeras como num programa de TV antigo. São uma família feliz e desejam paz a todos. Bem que Lukas (Lukas Schwarz) e Elias (Elias Schwarz), que agora brincam sozinhos na floresta em torno de sua casa, gostariam que essa fosse a sua família, mas algo aconteceu… E eles não estão mais em paz.

Boa Noite, Mamãe” é um suspense austríaco que vem colecionando prêmios e indicações desde  2014 e só agora, dois anos depois, estreia nos cinemas brasileiros. Dirigido por Severin Fiala e Veronika Franz, ambos estreantes em longas de ficção, o filme conta a história de dois irmãos gêmeos que não conseguem reconhecer a mãe depois que ela retorna de uma cirurgia plástica.

O segredo de “Boa Noite, Mamãe” está em entregar os detalhes do contexto aos poucos, permitindo ao público montar o quebra-cabeça em seu próprio tempo. Por que ela fez a cirurgia? O que aconteceu entre ela e Lukas? O espectador mais atento poderá descobrir as respostas logo no início (o que prejudica um pouco a experiência), mas algumas questões continuarão martelando até o final.

Mesmo que não sejamos surpreendidos, há muito o que apreciar. A evolução dos personagens, ora vítimas, ora agressores, sempre inseguros quanto às intenções do outro, garante nervos tensionados o tempo todo. Para as crianças, é inaceitável que a mãe se mostre fragilizada; enquanto, para ela, também é doloroso que um filho recorra ao outro como figura protetora, anulando sua autoridade. O sadismo resultante desse conflito é material para longos pesadelos.

“Boa Noite, Mamãe” chega aos cinemas no dia 10 de março.

 

 

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.