MIS recebe exposição sobre Quadrinhos em São Paulo

De novembro de 2018 a março de 2019 o Museu da Imagem e do Som – MISem São Paulo apresenta a exposição”Quadrinhos“, com mais de 600 peças de diversas épocas e países representando toda a variedade de produções com o tema, desde tirinhas cômicas e políticas até grandes sagas transformadas em filmes, séries de TV e outras mídias. 

Hagar, O Terrível, Mônica e Cebolinha, Batman, Tintim, Mafalda, Garfield, todos estão reunidos em dois andares inteiros do museu, com revistas, estatuetas, artes originais e textos informativos para que o público saia conhecendo melhor esse universo.

A exposição fica em cartaz até o dia 31 de marçoe os ingressos podem ser comprados, com hora marcada, no site Ingresso Rápido, ou pessoalmente (apenas para o mesmo dia) na bilheteria.

Mais informações, www.mis-sp.org.br.

 

O Doutrinador: graphic novel brasileira chega aos cinemas pingando sangue

“Serial killer ou justiceiro?”. A frase, que aparece brevemente como a manchete de um jornal fictício no longa “O Doutrinador”, resume bem a questão que se coloca na tela (e nas ruas): afinal, vale tudo no combate à corrupção? Continuar lendo “O Doutrinador: graphic novel brasileira chega aos cinemas pingando sangue”

Logan: por dentro da coletiva com Hugh Jackman

Saiba tudo o que aconteceu na coletiva de imprensa com Hugh Jackman em São Paulo. O ator esteve no Brasil para divulgar o filme “Logan”, que será seu último trabalho como Wolverine nos cinemas, e falou sobre a evolução dos filmes baseados em quadrinhos, sobre a violência em “Logan” e sua relação com o personagem.
O filme estreia no dia 2 de março nos cinemas.

Fala, Cinéfilo! #visita: X-Men Filmes EXPO no MIS

Fomos conferir a exposição “X-Men Filmes EXPO – dos filmes para o museu”, que está em cartaz no MIS em São Paulo. O evento traz 41 objetos usados em cena nos diversos filmes da franquia X-Men, incluindo figurinos, acessórios, storyboards e artes conceituais.

Quando? De 17 de maio a 3 de julho, de terça a domingo.
Quanto? Grátis.
Onde? MIS – Museu da Imagem e do Som (SP).

Crítica: “Expresso do Amanhã” estreia no Brasil com dois anos de atraso, mas a espera vale cada segundo

Às vezes, os melhores filmes enfrentam barreiras inexplicáveis antes de chegarem aos cinemas e muito de seu potencial transformador se perde no caminho. “Expresso do Amanhã”, ficção científica de Bong Joon-Ho (“O Hospedeiro”) baseada na HQ francesa “La Transperceneige”, é um desses casos – uma obra forte e rara que, provavelmente, muito poucas pessoas terão a chance de conhecer.

expresso

O filme foi filmado em 2013, num gigantesco trem construído num estúdio em Praga com atores de diversas nacionalidades. As expectativas eram altas, devido ao histórico de Joon-Ho, e a boa recepção na Coreia do Sul e na França confirmou o potencial comercial do longa. Mesmo assim, a distribuidora americana Weinstein não quis apostar suas fichas e, depois de ameaçar cortar 20 minutos do material, decidiu disponibilizar o corte original simultaneamente em VOD e nos cinemas, com apenas oito salas na primeira semana e 356 nas seguintes (contra mais de 4.000 para “Transformers: Era da Extinção”, que estreou no mesmo dia). A divulgação foi igualmente catastrófica.

Agora, pouco mais de um ano depois da estreia nos EUA e dois anos após o lançamento na Coreia do Sul, “Expresso do Amanhã” finalmente chega ao Brasil, enfraquecido pelo atraso e pela forma quase invisível como passou pelo maior mercado mundial. Mas, afinal, agora que chegou, o filme realmente merece a sua atenção?

A resposta é sim – e, digamos, com louvor. “Expresso” se passa num futuro pós-apocalíptico e, como todas as grandes distopias, diz muito sobre o mundo de hoje. O ponto de partida é o aquecimento global: para freá-lo, algumas organizações lançam na atmosfera uma substância capaz de resfriar o planeta. A situação, porém, foge do controle e a Terra fica congelada, extinguindo todo o tipo de vida.

Quem se salva são apenas algumas centenas de pessoas a bordo de um trem, resistente ao frio e ao calor e autossustentável. Seus passageiros são divididos em vagões e proibidos de circular: cada um deve se manter no seu lugar para garantir o “equilíbrio” daquele ecossistema.

A organização do trem simula uma divisão de classes, com a traseira superpopulosa fornecendo mão-de-obra à dianteira, que monopoliza comida, água e espaço vital. Vêm à mente outros trabalhos semelhantes, como o recente “Jogos Vorazes” (cada distrito funciona como um vagão) ou o clássico “Metrópolis” (com sua cidade alta em contraposição à baixa), mas “Expresso” tem sua própria voz. E é uma voz brutal.

Os personagens principais são intrigantes e, em geral, têm mais a mostrar do que aquela face plana de “herói” ou “vilão”. Ok, o vilão é um pouco estereotipado, mas o herói e seus coadjuvantes são verdadeiros caleidoscópios – especialmente Curtis, vivido por Chris Evans, e Yona, vivida por Ko Asung.

Curtis é o futuro líder da “cauda” (a parte traseira e miserável do trem), que se prepara para assumir o bastão do velho Gilliam (John Hurt) e planeja a revolução. Seu objetivo é atravessar todos os vagões até a ponta, onde o engenheiro Wilford (Ed Harris) reina soberano, e matá-lo. Para isso, porém, ele sabe que precisará da força bruta de seus companheiros e de frieza para derramar muito (muito!) sangue.

O filme tinha tudo para ser apenas mais uma distopia maniqueísta, mas vários elementos entram em cena para garantir que esta história seja diferente e deixe uma marca no espectador. O conflito moral do protagonista é um deles: Curtis é humano e, mais de uma vez, suas decisões não são nobres – mas são coerentes para um líder revolucionário.

Também surpreendem as atitudes dos outros personagens, cada um com sua própria visão de mundo – Yona e Nam (Song Kang Ho) têm uma sensibilidade particular, buscando um futuro de paz e prazer enquanto ajudam os rebeldes, quase alheios à guerrilha; já Edgar (Jamie Bell) parece idealizar Curtis como um salvador, da mesma forma que Mason (Tilda Swinton, quase irreconhecível) glorifica Wilford. É interessante notar que a personagem de Swinton não é vilânica por si só, mas apenas cumpre um papel que lhe foi atribuído e se sente confortável com isso. Octavia Spencer completa o time no papel de uma mãe em busca do filho perdido.

Visualmente, “Expresso do Amanhã” é um banquete: cada vagão tem sua personalidade e sua luminosidade, mas há um padrão de saturação que percorre todo o trem, remetendo aos quadrinhos. O figurino é pesado e invernal, com eventuais toques de cor que intensificam o contraste entre as classes. A maquiagem é suja e expressiva.

O filme transmite uma claustrofobia que vai além dos ambientes estreitos: há uma tensão constante que não permite aos personagens respirarem, seja porque estão sendo oprimidos, seja porque estão lutando em direção a um destino que não pode ser muito melhor do que aquilo. A inutilidade da violência fica óbvia quando as luzes se apagam e o sangue escorre – e olhar pela janela, para o branco infinito, é o único suspiro de alívio que se faz possível.

Nota: a HQ que inspirou o longa ganhou recentemente uma tradução pela editora Aleph e está disponível nas livrarias como “O Perfuraneve”.

Texto publicado no Guia da Semana em 13/08/2015.

Crítica: “Quarteto Fantástico” renova a origem dos personagens, mas decepciona na reta final

Numa época em que até Homem-Formiga e Aquaman estão ganhando sua chance em megaproduções, é natural que os poucos heróis que ainda não tenham conseguido se firmar dentro de uma franquia voltem às telas de cara nova, recontando suas origens na esperança de se tornarem os novos Vingadores.

quarteto

Isso já aconteceu com Homem-Aranha, Batman e até X-Men, que vem explorando duas linhas do tempo para introduzir um elenco mais jovem. Agora, é a vez do Quarteto Fantástico tentar a sorte no filme que estreia nesta quinta (6 de agosto) com Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan e Jamie Bell.

O elenco não poderia estar mais em alta: Teller brilhou no Oscar 2015 com “Whiplash”; Jordan conquistou críticos em 2013 com “Fruitvale Station”; Mara está na premiada série “House of Cards” e Bell saltou de “Billy Elliot” (2000) para “Ninfomaníaca” (2013), mostrando que não era apenas uma criança-prodígio.

Tanto cuidado com os heróis não compensa, porém, a escalação de Toby Kebbell para o papel do Dr. Destino. Apesar de se destacar em “Planeta dos Macacos – O Confronto” como o chimpanzé Koba, aqui ele não convence como a criatura enciumada e amargurada que, de uma hora para a outra, decide destruir o mundo.

Um clichê como este – o vilão 100% mau, contra os heróis que precisam trabalhar juntos para salvarem a Terra – já deveria estar superado a esta altura, mas ainda é o motor de 10 em cada 10 filmes de super-heróis. O mais decepcionante é que “Quarteto Fantástico” poderia ter sido diferente.

A primeira hora do filme é, afinal, bastante autêntica: conhecemos a infância de Reed (Teller) e Ben (Bell), descobrimos como uma experiência com teletransporte leva a uma dimensão paralela, ouvimos falar de física quântica, buracos negros e outras teorias da moda. Enfim, acompanhamos o trabalho de um grupo de cientistas, mergulhamos no seu sonho e vibramos com eles quando finalmente conseguem realizá-lo.

E é então que tudo desmorona. A ficção científica dá lugar ao filme de super-herói, com todos os seus clichês: os amigos que precisam se reconciliar, o governo que explora heróis como armas de guerra, o vilão que pode matar com um único olhar, mas cuja luta final se revela muito mais fácil do que deveria. E, é claro, a mocinha em perigo (que, para piorar, é excluída da ação mais interessante do filme sem nenhum motivo aparente).

O novo “Quarteto Fantástico”, cujo custo é estimado em US$ 120 milhões, não tem apenas a missão de iniciar uma possível franquia, mas também precisa provar que é superior ao filme de 2005 – o que, em muitos aspectos, não é.

Menos ambicioso, aquele Quarteto se apoiava mais no humor e nos conflitos amorosos de seus personagens do que na ciência em si, construindo uma aventura que, apesar de simplista, se sustentava do início ao fim. Já este, empenhado em criar uma nova história e agradar aos fãs mais intelectuais, acaba se perdendo na ação, escorregando para um encerramento ruim que prejudica todo o produto.

No fim, é provável que o Sr. Fantástico, a Mulher Invisível, o Tocha Humana e o Coisa voltem à obscuridade mais uma vez, e tenham que esperar mais dez anos por uma nova chance.

Texto publicado no Guia da Semana em 03/08/2015.