Cinema: problemas na Georgia, Meninas Superpoderosas e Zack Snyder

Bom dia, leitores queridos!

Alguns de vocês me acompanham no Instagram, outros não, mas tenho publicado, por lá, vários vídeos com notícias semanais: um deles, que sai às sextas, traz notícias de assuntos diversos, do Brasil e do mundo, normalmente curiosos e pouco discutidos (mas nem sempre). O outro, que está saindo às quartas, é só sobre cinema, igualmente eclético.

Resolvi que vou começar a colocá-los aqui no blog também, para que mais gente possa assistir! Este foi o vídeo da última quarta, 14 de abril. Divirtam-se!

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Cinema: hobbits soviéticos, trailer de Loki e um novo streaming

Promessa é dívida e hoje estreio um novo quadro de notícias só sobre cinema e TV, no Instagram. Na primeira edição, falo sobre uma adaptação soviética de O Senhor dos Anéis que ressurgiu na internet, comento o trailer da nova série da Disney +, Loki, conto uma história louca sobre um nome escrito errado durante a vida toda e apresento mais um serviço de streaming que vem por aí.

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Novos e velhos heróis

Zack Snyder não é exatamente meu exemplo de diretor de cinema. Apesar disso, passei quatro horas da última quinta-feira conferindo a sua versão do pipocão-sessão-da-tarde Liga da Justiça, filme lançado em 2017 que ele começou, mas não pôde terminar em decorrência de uma tragédia pessoal. Na época, Joss Whedon assumiu o volante e se deu mal: misturar duas visões de uma mesma obra, assim, às pressas, nunca poderia ter dado muito certo, e o resultado foi visivelmente caótico. Mas por que me dar ao trabalho de assistir à nova versão? Bem, um pouco para poder acompanhar as discussões na internet, um pouco porque conseguimos acessar uma promoção bem baratinha do Google Play (se fosse para pagar R$ 50 a história seria outra), e um pouco por curiosidade sobre o que ele poderia me dizer dos novos caminhos do cinema de massa.

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Westworld, 2ª temporada: considerações

Tive dificuldade para dormir ontem à noite. Por mais que tentasse, não conseguia desviar os pensamentos do final da segunda temporada de “Westworld”, que foi ao ar neste domingo na HBO após uma sequência de episódios propositalmente confusos e enlouquecedores. É só uma série, eu sei, mas havia muito o que pensar – inclusive sobre o mundo do lado de fora da ficção.

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Ficção não é só entretenimento

Estes dias estava discutindo com o meu noivo sobre a dificuldade de algumas (muitas) pessoas pensarem além do seu limitado universo umbigário. Dos pequenos assaltantes dos jornais diários até os terroristas organizados, passando por líderes nacionais e pessoas comuns como eu e você. Continuar lendo “Ficção não é só entretenimento”

Crítica: “Beasts of No Nation” disseca a guerra pelo ponto de vista de crianças-soldados

Na última sexta-feira (no dia 16 de outubro), a Netflix disponibilizou para assinantes de todo o mundo seu primeiro longa-metragem original, “Beasts of No Nation”. Originalmente pensado para estrear simultaneamente no canal e nos cinemas norte-americanos, o filme acabou sofrendo boicote das principais redes exibidoras do país e conseguiu abrir em apenas 31 salas, amargando o 33º lugar entre as bilheterias do fim de semana.

beasts

“Beasts” conta a história de um menino africano que, após ter sua vila engolida pela Guerra Civil e sua família inteira assassinada, é recrutado como soldado num grupo de resistência. O filme não se preocupa muito em especificar a situação: que país é aquele? Quais exatamente são as facções rivais? Diante de uma série de siglas genéricas, tudo o que sabemos é que o governo totalitário está invadindo as aldeias e que há pelo menos duas forças contrárias a ele, que também fazem sua parcela de saques e invasões. No meio disso tudo, a ONU desempenha um papel bastante ambíguo, o que dá um quê de crítica social ao longa.

Quem conduz o espectador por esse universo animalesco de crianças-soldados é Agu (Abraham Attah), protagonista e narrador que complementa a violência na tela com reflexões muito bem pontuadas. Sua evolução (ou involução, de criança travessa a uma criatura com metade da sua humanidade) é o que mais impressiona no filme de Cary Fukunaga (True Detective), que constrói esse personagem com calma e cuidado.

Outro elemento-chave na narrativa de “Beasts” é o Comandante, interpretado por Idris Elba (um dos únicos atores profissionais no elenco). Paternal e abusivo, seu personagem representa o pior da guerra para Agu: a violência psicológica de quem é obrigado a correr de encontro à guerra para tentar escapar vivo dela, e a fazer tudo o que não acredita para sobreviver.

O longa começa com fôlego e a trilha sonora – composta por canções infantis, palmas e, mais tarde, tiros – ajuda a dar ritmo. Lá pela terceira parte das mais de duas horas de filme, porém, o roteiro perde o embalo e se permite demorar demais em algumas cenas que acabam tornando a jornada de Agu cansativa. O final, apesar de conter algumas cenas belíssimas, não consegue recuperar o encanto do início e o filme termina numa nota um pouco amarga.

“Beasts of No Nation” é, com certeza, apenas o primeiro de muitos projetos ousados da Netflix para o cinema, como foi “House of Cards” para a TV. A produção é muito bem feita e a direção realmente impressiona – não surpreende se o filme for lembrado quando chegar o momento de definirem os indicados ao Oscar 2016. Para quem ainda não viu, fica a dica: respire fundo e vá em frente. É pesado, mas é melhor do que muita coisa que você vai ver nos cinemas este ano.

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.