A grama dos outros é mais fácil de cuidar

Desde que virou o ano, tenho andado meio workaholic. Desesperada para produzir alguma coisa, seja lá o que for, seja lá como for, desde que seja agora. Acho que é a iminência do fim do mestrado, e com ele do sentido da vida que vem junto com o ritual de conquista de mais um diploma universitário. Não que uma dissertação (que é basicamente um livro) não seja produção suficiente, mas, profissionalmente falando, ela não vale muita coisa. Não depois da defesa. E a necessidade aliada ao tédio de um ano cheio de referências bibliográficas e nenhuma vida social é a mãe da inspiração. E da produtividade. Então podem vir textos, podem vir vídeos, podem vir posts que eu to topando!

Pra ser melhor, só se eu conseguisse aplicar essa energia toda aos meus próprios projetos.

Porque hoje é domingo e eu me peguei fazendo um planejamento completo de conteúdo para um projeto que era para ser um hobbie, com alguns amigos que se assustaram com razão diante das quatro páginas que eu preenchi com anotações, listas, tabelas, tudo detalhado e comentado numa sequência de áudios como se eu fosse A especialista em marketing digital. O que não sou, mas sou organizada. Com os outros. Pergunta se eu fiz a mesma coisa com o conteúdo aqui do blog, ou com as minhas próprias redes sociais (que agora são profissionais também, porque o mundo é assim). Pergunta se fiz a mesma coisa com a minha dissertação. 

Não sei se vocês também funcionam nesse nível de auto-sabotagem, mas sinto que é muito mais fácil tomar decisões quando o trabalho envolve outra pessoa. Vestir a carapuça da super-profissional e acreditar que o que eu tenho de habilidade vai servir parece moleza quando tem alguém do outro lado precisando de uma força. Ai, se sou só eu mesma precisando de mim. 

E isso tudo me faz pensar que talvez a diferença entre um trabalho realizado e um engavetado seja um simples aceno de cabeça, um “OK, vai em frente” e um emoji feliz. Mas, se a única outra funcionária da empresa sou eu, quem é que vai acenar a cabeça para mim? Se a grama é toda minha e o cortador também… Talvez seja preciso derrubar a cerca. E começar a trabalhar nesse diálogo de mim para mim.